Publicado em: 23/2/2005

O GLOBO – Caderno Megazine

DÚVIDA CRUEL
22/02/2005

Fazer um curso de que gosta muito ou escolher uma profissão que está em alta no mercado? Que dúvida mais cruel, não acha? Mas fique sabendo que entre os vestibulandos indecisos, 42,14% passam por esse mesmo dilema. Isso é o que mostra a pesquisa realizada semana passada pelo Laboratório UniCarioca de Pesquisas Aplicadas. Ao todo foram consultados 600 estudantes do 3º ano do ensino médio, com idades entre 16 e 18 anos, de onze escolas das zonas Norte e Sul do Rio. Para quem está nessa dúvida, o presidente da empresa Talento & Profissão, André Moraes, costuma dar um conselho: fique atento ao mercado, mas lembre-se de que o importante mesmo é fazer o que gosta. - As previsões de mercado nem sempre se confirmam. Por isso é sempre melhor seguir a vocação. O estudante deve lembrar que a expectativa de vida da população está aumentando e que as pessoas cada vez trabalham mais. Se ela não fizer o que gosta, vai passar o resto da vida infeliz - diz André, especialista em planejamento profissional. Esse conselho é importante até para quem diz já ter optado por uma carreira. A pesquisa mostrou que 64,65% dos alunos entrevistados já sabem que curso querem seguir. - É interessante o alto nível de decisão quanto à carreira escolhida, pois a dúvida é característica dessa faixa etária - avalia a professora Lucia Venina de Mattos Almeida, diretora do Núcleo de Educação da UniCarioca. Para André, muitos estudantes escolhem uma profissão precipitadamente e, ao longo do ano, acabam mudando sua opção de carreira: - Muitos escolhem um curso logo no início do ano só para direcionar o estudo, saber que matérias serão as específicas. Mas a decisão deve ser tomada com base em informações confiáveis sobre a carreira, sobre o mercado. Numa pesquisa realizada com 200 alunos de 2º e 3º ano do ensino médio, André verificou, no início do ano passado, que apenas 15% dos entrevistados estavam totalmente decididos em relação à carreira; 32% não estavam totalmente certos da escolha e 53% estavam em dúvida entre dois ou mais cursos. - Hoje são mais de cem cursos, só de graduação. Por isso, o ideal é que o processo de escolha comece no 1º ano do ensino médio. Entre os indecisos, 25,79% dos entrevistados ainda não escolheram uma carreira justamente porque a oferta de cursos é grande. Os estudantes também acham que são muito jovens para escolher a profissão (12,57%) e que não recebem orientação adequada sobre profissões na escola (12,58%). Segundo a pesquisa da UniCarioca, entre os alunos em dúvida, 26,17% fazem orientação vocacional no colégio ou procuram um serviço especializado. Mas a maioria (30,87%) diz que prefere conversar com os pais para tirar dúvidas. - Isso alerta para a necessidade do constante diálogo entre pais e filhos - diz Lucia.

Ediane Merola

Fonte: O GLOBO
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